Tipos de retículos para mira telescópica: 4A, 4Ai, BDC, Mil-Dot, MOA, MIL e Christmas Tree
O retículo é um dos elementos mais importantes de uma mira telescópica. Influencia a rapidez com que o olho encontra o ponto de mira, a limpeza da imagem do alvo e a quantidade de referências angulares disponíveis para interpretar correções em elevação ou deriva.
Escolher o retículo correto não significa procurar aquele que tem o maior número de linhas, pontos ou referências. Um retículo 4A limpo pode ser excelente para muitas situações de caça, enquanto um retículo MOA, MIL/MRAD ou Christmas Tree pode ser muito mais adequado quando o atirador necessita de numerosas referências angulares.
Os fabricantes utilizam também as suas próprias denominações. A Swarovski dispõe de retículos como 4A-i, 4A-iF, 4W-i e BRX-i; a Leupold utiliza nomes como Duplex, FireDot, TMOA, PR2-MOA e PR2-MIL; a Vortex tem famílias como Dead-Hold BDC, VMR e EBR; e a Bushnell combina retículos de caça tradicionais com configurações BDC, MOA, MIL e outras orientadas para tiro de precisão.
Neste guia vamos, por isso, organizar os retículos por famílias funcionais, para compreender o que cada arquitetura oferece e que tipo de caçador ou atirador pode beneficiar mais de cada uma.
Se ainda estás a escolher a ótica completa e não apenas o retículo, começa pela nossa categoria principal de miras de caça e tiro.
O que é o retículo de uma mira telescópica?
O retículo é o conjunto de linhas, pontos, marcas ou referências visíveis no interior do campo de visão da mira.
Na sua forma mais simples, fornece apenas uma referência central de pontaria. Os retículos mais avançados podem integrar:
- postes exteriores espessos para conduzir rapidamente o olhar ao centro;
- cruz central fina;
- ponto central iluminado;
- referências de elevação;
- referências laterais e de deriva;
- subtensões expressas em MOA ou MIL/MRAD;
- marcas BDC;
- hash marks;
- pontos Mil-Dot;
- estruturas tipo Christmas Tree;
- estruturas densas tipo Grid.
Um retículo pode, portanto, ser concebido sobretudo para rapidez e uma imagem de mira limpa, ou para disponibilizar uma grande quantidade de informação angular. Nenhuma destas filosofias é universalmente superior: tudo depende da utilização.
Os principais tipos de retículos para mira telescópica
| Família de retículo | Característica principal | Utilização habitual |
|---|---|---|
| 4 / 4A / German #4 | Postes exteriores espessos e zona central livre | Caça geral, espera, aproximação |
| 4A iluminado | Retículo de caça limpo com referência central iluminada | Batida, espera, pouca luz |
| Plex / Duplex | Linhas exteriores grossas que afinam para o centro | Caça geral |
| BDC | Referências adicionais abaixo do centro | Caça e distâncias variáveis |
| Mil-Dot | Pontos distribuídos pelos eixos principais | Referências angulares e tiro técnico |
| MIL / MRAD moderno | Hash marks e subtensões angulares | Precisão, longa distância, PRS |
| MOA | Referências graduadas em minutos de ângulo | Precisão e longa distância |
| Tree / Christmas Tree | Múltiplas referências verticais e laterais abaixo do centro | PRS e tiro de precisão |
| Grid | Rede muito densa de referências angulares | Competição e precisão avançada |
1. Retículo 4A: simplicidade e rapidez para a caça
Representação esquemática de um retículo tipo 4A. A geometria exata e as subtensões podem variar consoante o fabricante.
O retículo 4A pertence a uma das grandes famílias clássicas de retículos europeus de caça. Normalmente apresenta elementos exteriores espessos que conduzem rapidamente o olhar para uma zona central muito mais fina e aberta.
Os postes mais fortes continuam bem visíveis sobre fundos complexos ou escuros, enquanto o centro fino evita cobrir desnecessariamente o alvo.
A filosofia é simples: dar ao olho informação suficiente para encontrar rapidamente o centro, mantendo ao mesmo tempo uma imagem de mira o mais limpa possível.
Vantagens do retículo 4A
- imagem de mira muito limpa;
- centro fácil de identificar;
- pouca distração em redor do alvo;
- postes exteriores facilmente visíveis;
- interpretação simples e intuitiva;
- excelente filosofia para numerosas situações de caça.
Para quem é indicado um retículo 4A?
- caçador tradicional;
- caça de aproximação a distâncias habituais;
- espera;
- batida quando se pretende simplicidade;
- utilizador que efetua a maioria das correções através das torres;
- caçador que não necessita de muitas referências angulares dentro do campo de visão.
Um 4A não deve ser considerado um retículo pouco evoluído. A sua principal vantagem está precisamente em eliminar informação desnecessária quando a utilização não exige um retículo angular complexo.
2. Retículo 4A-i ou 4Ai iluminado
Representação esquemática de um retículo de caça tipo 4A com referência central iluminada.
A evolução natural do conceito 4A consiste em manter a estrutura limpa e acrescentar uma referência central iluminada.
A iluminação facilita a identificação do centro sobre vegetação escura, animais na sombra ou em condições de pouca luz, sem transformar o retículo numa estrutura angular muito carregada.
A Swarovski utiliza atualmente denominações como 4A-i e 4A-iF em diferentes configurações das suas miras telescópicas. Na própria categoria portuguesa da Carbin, a marca destaca também tecnologias como SWAROLIGHT e iluminação do retículo. :contentReference[oaicite:1]{index=1}
Vantagens de um retículo 4A iluminado
- mantém um campo visual limpo;
- facilita a identificação imediata do centro;
- melhora o contraste sobre fundos escuros;
- é extremamente intuitivo;
- combina aquisição rápida e referência central fina.
Utilizações particularmente indicadas
- batida;
- espera;
- caça em floresta;
- aproximação;
- amanhecer e entardecer;
- situações em que a aquisição rápida do alvo é prioritária.
Podes comparar estas soluções nos visores Swarovski e na categoria de miras com retículo iluminado.
3. Retículos Plex e Duplex: outra filosofia clássica e limpa
Os retículos Plex e Duplex seguem uma filosofia semelhante: linhas exteriores mais espessas que se tornam progressivamente mais finas ao aproximarem-se do centro.
4A, Plex, Duplex e Multi-X não são exatamente o mesmo retículo. A geometria varia. O que partilham frequentemente é a mesma filosofia funcional:
conduzir rapidamente o olhar para o centro sem encher o campo visual de referências desnecessárias.
Entre as denominações comerciais mais conhecidas encontramos:
- Leupold Duplex;
- Leupold Fine Duplex;
- Leupold Hunt-Plex;
- Swarovski PLEX;
- Swarovski PLEX-i;
- Bushnell Multi-X.
Esta família é especialmente interessante para caçadores que valorizam simplicidade, rapidez de aquisição e uma imagem de mira pouco carregada.
Na Carbin podes comparar, entre outras, as miras Swarovski e as miras Bushnell.
4. Retículo BDC: referências adicionais para distâncias variáveis
Representação esquemática de um retículo BDC. A posição e a função exatas das marcas dependem sempre do fabricante e do modelo.
BDC significa Bullet Drop Compensation. Um retículo BDC incorpora referências adicionais por baixo do ponto central, que podem funcionar como pontos visuais alternativos de referência.
Estas referências podem assumir formas muito diferentes:
- linhas horizontais;
- pontos;
- hash marks;
- círculos;
- marcas de diferentes larguras;
- referências laterais adicionais.
É essencial compreender que BDC não identifica uma geometria universal de retículo. Trata-se de uma família funcional. Cada fabricante define a forma e a interpretação das suas próprias marcas.
Exemplos de denominações relacionadas com BDC
| Marca | Exemplos | Princípio geral |
|---|---|---|
| Vortex | Dead-Hold BDC, AR-BDC | Referências adicionais para diferentes trajetórias |
| Bushnell | Drop Zone, BTR BDC | Referências balísticas adicionais |
| Swarovski | BRX, BRX-i, BRW, BRS | Mais referências do que num 4A ou Plex simples |
| Leupold | Diferentes retículos balísticos conforme a série | Referências adicionais adaptadas à utilização |
Para quem é interessante um retículo BDC?
- caçador que trabalha a distâncias variáveis;
- caça de aproximação;
- atirador recreativo;
- utilizador que pretende mais referências do que num 4A ou Plex;
- atirador que não necessita ainda da densidade visual de um Tree ou Grid.
O BDC ocupa assim uma posição muito interessante entre os retículos de caça extremamente simples e os retículos angulares muito mais complexos.
Para estas utilizações podes consultar as miras Bushnell e a seleção principal de miras de caça. A categoria Bushnell portuguesa inclui atualmente retículos como German #4, G5i e outras variantes proprietárias. :contentReference[oaicite:2]{index=2}
5. Retículo Mil-Dot: a arquitetura MIL clássica
Representação esquemática de um retículo Mil-Dot clássico.
O retículo Mil-Dot é uma das arquiteturas técnicas mais conhecidas. A sua característica visual clássica é a presença de pontos distribuídos pelos eixos horizontal e vertical.
Esses pontos fornecem referências angulares dentro de um sistema baseado em MIL/MRAD.
É, no entanto, fundamental distinguir:
Mil-Dot não é sinónimo de qualquer retículo MIL.
Mil-Dot descreve uma arquitetura específica. Os retículos MIL modernos podem substituir os pontos tradicionais por:
- hash marks;
- subdivisões mais finas;
- referências numeradas;
- marcas de deriva;
- linhas horizontais adicionais;
- estruturas Tree;
- estruturas Grid.
O Mil-Dot clássico representa, por isso, uma etapa importante na evolução dos retículos angulares, mas não é a única maneira de construir um retículo baseado em MIL.
Para aprofundar o tema, consulta o nosso guia sobre retículo Mil-Dot e sistema MIL/MRAD. :contentReference[oaicite:3]{index=3}
6. Retículos MIL/MRAD modernos
Um retículo MIL/MRAD moderno utiliza o milirradiano como unidade angular, mas visualmente pode ser completamente diferente de um Mil-Dot clássico.
Os desenhos atuais vão desde retículos relativamente limpos até arquiteturas de competição extremamente detalhadas, com um grande número de subtensões.
| Marca | Exemplos de famílias | Orientação habitual |
|---|---|---|
| Vortex | VMR, EBR e diferentes versões MRAD | Precisão, longa distância, competição |
| Leupold | TMR, PR2-MIL, PR3-MIL | Tiro de precisão |
| Bushnell | Deploy MIL e outros retículos de precisão | Tiro técnico e longa distância |
| Kahles | Famílias SKMR | PRS e precisão |
Estes sistemas tornam-se especialmente intuitivos quando o retículo e as torres utilizam a mesma unidade angular.
Para utilizações mais técnicas podes consultar as miras para PRS e tiro dinâmico. A categoria portuguesa inclui atualmente modelos com retículos como EBR-7C MOA e outras configurações orientadas para precisão. :contentReference[oaicite:4]{index=4}
7. Retículo MOA: referências em minutos de ângulo
Representação esquemática de um retículo angular graduado em MOA.
Um retículo MOA utiliza o Minute of Angle, ou minuto de ângulo, como unidade para definir as suas referências e subtensões.
Tal como acontece com MIL, MOA não identifica uma única forma gráfica de retículo. Um retículo MOA pode ser relativamente simples ou extremamente detalhado.
Entre as denominações comerciais encontramos, por exemplo:
- Leupold TMOA;
- Leupold PR2-MOA;
- Vortex EBR em versões MOA;
- Vortex VMR em versões MOA;
- Bushnell Deploy MOA.
O ponto fundamental não é considerar MOA intrinsecamente mais preciso do que MIL. O mais importante é manter uma lógica coerente em todo o sistema.
Uma mira com retículo MOA e torres MOA permite interpretar referências e correções dentro da mesma unidade angular.
Para compreender esta unidade em profundidade, consulta o nosso artigo O que é o MOA?. :contentReference[oaicite:5]{index=5}
8. Retículos Tree ou Christmas Tree
Representação esquemática de um retículo tipo Christmas Tree. A ilustração não reproduz nenhum retículo proprietário específico.
Os retículos Tree ou Christmas Tree representam uma evolução importante dos modernos retículos angulares.
Abaixo do ponto central surge uma estrutura progressivamente mais larga, que combina numerosas referências verticais e horizontais.
Esta arquitetura permite disponibilizar referências diretas para:
- elevação;
- deriva;
- holdover;
- correções laterais;
- subtensões angulares;
- diferentes correções efetuadas diretamente através do retículo.
Para que tipo de atirador são especialmente interessantes?
- atiradores de precisão;
- atiradores PRS;
- competição;
- utilizadores de retículos FFP avançados;
- atiradores que efetuam frequentemente correções diretamente através do retículo.
Esta filosofia está especialmente presente nas miras PRS e de tiro dinâmico.
Tree e Grid: semelhantes, mas não iguais
Na linguagem corrente, muitos retículos complexos são agrupados sob a designação Christmas Tree. Tecnicamente, porém, é útil distinguir uma estrutura Tree de uma estrutura Grid.
| Tipo | Estrutura | Aspeto visual |
|---|---|---|
| Tree | Referências horizontais progressivamente mais largas para baixo | Estrutura semelhante a uma árvore |
| Grid | Rede mais densa e regular de referências angulares | Aspeto de grelha |
Ambas as arquiteturas oferecem muito mais informação do que um 4A, Plex ou BDC simples. Essa informação adicional só representa uma vantagem quando o atirador compreende corretamente a geometria do retículo utilizado.
Como Swarovski, Leupold, Vortex e Bushnell designam os seus retículos
Comparar miras telescópicas pode tornar-se confuso porque cada fabricante utiliza nomes comerciais próprios e, em muitos casos, desenhos proprietários.
| Marca | Exemplos | Família aproximada | Utilização habitual |
|---|---|---|---|
| Swarovski | 4A-i, 4A-iF | Retículo de caça iluminado | Caça, aproximação, batida |
| Swarovski | PLEX, PLEX-i | Plex | Caça geral |
| Swarovski | 4W-i, BRX-i e variantes com mais referências | Referências balísticas / angulares | Distâncias variáveis |
| Leupold | Duplex, Fine Duplex, Hunt-Plex | Plex / Duplex | Caça |
| Leupold | FireDot Duplex, FireDot 4 Fine | Retículo iluminado | Caça e aquisição rápida |
| Leupold | TMOA, PR2-MOA | MOA | Precisão |
| Leupold | TMR, PR2-MIL, PR3-MIL | MIL | Precisão |
| Vortex | Dead-Hold BDC, AR-BDC | BDC | Caça e utilização polivalente |
| Vortex | VMR | MOA / MRAD | Precisão |
| Vortex | EBR | Retículo angular avançado / Tree dependendo da versão | Longa distância e precisão |
| Bushnell | Multi-X | Plex | Caça |
| Bushnell | German #4 | Família tipo 4 | Caça |
| Bushnell | Drop Zone / BTR BDC | BDC | Referências balísticas |
| Bushnell | Deploy MOA / Deploy MIL | MOA / MIL | Precisão |
Esta tabela deve ser utilizada como orientação funcional. A geometria exata, as subtensões, a iluminação e o plano focal devem ser sempre confirmados nas especificações técnicas da mira e do retículo concretos.
Swarovski: 4A-i, PLEX e referências balísticas
Swarovski Optik representa muito bem a tradição centro-europeia dos retículos de caça limpos, mas oferece também configurações com maior quantidade de informação.
Um 4A-i privilegia uma imagem muito limpa e um ponto central iluminado imediatamente reconhecível. Outras variantes acrescentam referências adicionais para diferentes utilizações.
Isto demonstra um princípio importante: uma mesma marca pode oferecer filosofias de retículo completamente diferentes consoante a mira e a utilização prevista.
Leupold: do Duplex aos retículos MOA e MIL
A Leupold é outro bom exemplo de fabricante com diferentes filosofias de retículo.
Num extremo encontramos desenhos de caça muito limpos, como Duplex ou Hunt-Plex. No outro, retículos MOA e MIL destinados a aplicações muito mais técnicas.
A Leupold utiliza também a denominação FireDot em diferentes retículos iluminados. FireDot não é uma unidade angular como MOA ou MIL: identifica uma solução de iluminação central integrada em determinados desenhos.
Vortex: do Dead-Hold BDC aos retículos EBR
A Vortex permite compreender especialmente bem a evolução entre um retículo relativamente simples e uma arquitetura de precisão muito mais rica em informação.
Um Dead-Hold BDC fornece referências adicionais sem atingir necessariamente a densidade visual de um retículo de competição, enquanto alguns EBR disponibilizam muito mais informação angular.
Existem ainda famílias disponíveis tanto em MOA como em MRAD, demonstrando uma distinção fundamental: a unidade angular e a arquitetura gráfica do retículo estão relacionadas, mas não são a mesma coisa.
Bushnell: de retículos clássicos de caça a desenhos de precisão
As miras Bushnell cobrem igualmente um espectro muito amplo.
Existem configurações orientadas para uma imagem de mira muito limpa, mas também retículos BDC, MOA e MIL destinados a utilizadores que procuram um maior número de referências angulares. A categoria portuguesa inclui atualmente, entre outros, retículos German #4 e G5i. :contentReference[oaicite:6]{index=6}
Que retículo escolher segundo o tipo de caçador ou atirador?
| Perfil | Retículos normalmente adequados | Principal vantagem |
|---|---|---|
| Batida | 4A-i, German #4 iluminado, conceitos tipo FireDot | Aquisição rápida |
| Caça tradicional | 4A, Plex, Duplex | Imagem de mira limpa |
| Caça de aproximação | 4A-i, BDC ou retículo angular moderado | Equilíbrio entre clareza e referências |
| Caça a maior distância | BDC avançado, MOA ou MIL | Mais referências angulares |
| Tiro recreativo | Plex, BDC ou retículo angular simples | Facilidade de interpretação |
| Field Target / ar comprimido | Mil-Dot ou MIL graduado | Numerosas referências angulares |
| Tiro de precisão | MOA ou MIL | Sistema angular coerente |
| PRS | Tree ou Grid em primeiro plano focal | Grande quantidade de referências disponíveis |
| Atirador que trabalha sobretudo com as torres | Retículo relativamente limpo | Menos sobrecarga visual |
| Atirador que usa intensivamente o retículo para corrigir | MOA/MIL avançado, Tree ou Grid | Mais referências imediatas |
Para utilizações de curta distância podes consultar as miras para batida e curta distância. Para aplicações técnicas, consulta as miras para PRS e tiro dinâmico. :contentReference[oaicite:7]{index=7}
Primeiro ou segundo plano focal: fundamental nos retículos angulares
Quando um retículo contém referências angulares, é essencial saber se está localizado no primeiro plano focal ou no segundo plano focal.
Retículo no primeiro plano focal
Numa mira FFP, o tamanho aparente do retículo muda juntamente com a imagem do alvo quando a ampliação é alterada.
Desta forma, a relação angular entre as subtensões do retículo e o alvo mantém-se ao longo da gama de ampliação.
Esta característica é particularmente relevante para:
- retículos MIL;
- retículos MOA;
- retículos Tree;
- retículos Grid;
- PRS;
- tiro de precisão.
Retículo no segundo plano focal
Numa mira SFP, o tamanho aparente do retículo mantém-se praticamente constante enquanto a ampliação da imagem do alvo muda.
Esta característica pode ser especialmente agradável em retículos simples de caça, porque o desenho mantém uma presença visual muito estável ao longo do zoom.
Quando um retículo SFP inclui subtensões angulares, é necessário conhecer a ampliação de calibração indicada pelo fabricante. Não se deve assumir automaticamente que corresponde à ampliação máxima.
Desenvolvemos este conceito no artigo diferenças entre primeiro plano focal e segundo plano focal. :contentReference[oaicite:8]{index=8}
MOA e MIL são sistemas angulares, não desenhos fixos de retículo
Uma das confusões mais frequentes consiste em tratar MOA e MIL como se fossem duas formas gráficas específicas de retículo.
Não são.
Podemos ter:
- um retículo MOA relativamente simples;
- um retículo MOA tipo Christmas Tree;
- um retículo MIL limpo;
- um Mil-Dot clássico;
- um retículo MIL Tree;
- um retículo MIL Grid.
Devem, portanto, separar-se sempre dois conceitos:
arquitetura gráfica do retículo + sistema angular utilizado.
Retículo e torres: idealmente devem utilizar a mesma unidade
Nos retículos angulares, é normalmente mais intuitivo que o retículo e as torres utilizem a mesma unidade.
| Retículo | Torres | Resultado |
|---|---|---|
| MOA | MOA | Sistema angular coerente |
| MIL | MIL / MRAD | Sistema angular coerente |
| MIL | MOA | Funcional, mas obriga a trabalhar com duas escalas |
| MOA | MIL / MRAD | Funcional, mas obriga a trabalhar com duas escalas |
Um sistema misto pode funcionar perfeitamente, mas utilizar uma única unidade reduz a necessidade de conversões adicionais.
Um retículo avançado não elimina a paralaxe
A existência de numerosas subtensões e referências não elimina o fenómeno da paralaxe.
Retículo, plano focal e paralaxe são conceitos óticos diferentes. Quanto mais precisamente se pretende utilizar as referências do retículo, mais importante é compreender corretamente todo o sistema ótico.
Para aprofundar este tema, consulta o nosso guia sobre como ajustar a paralaxe da mira. :contentReference[oaicite:9]{index=9}
Um retículo com mais referências é automaticamente melhor?
Não.
Um retículo Christmas Tree pode oferecer muito mais informação do que um 4A, mas essa informação apenas representa uma vantagem quando o atirador realmente necessita dela e sabe interpretá-la.
| Prioridade | Famílias interessantes |
|---|---|
| Máxima limpeza visual | 4A, Plex, Duplex |
| Aquisição rápida com iluminação | 4A-i, FireDot e conceitos semelhantes |
| Referências adicionais simples | BDC |
| Referências angulares clássicas | Mil-Dot |
| Sistema angular moderno | MOA ou MIL |
| Muitas referências verticais e laterais | Tree |
| Máxima densidade de referências | Grid |
Erros frequentes ao escolher um retículo
- Pensar que um retículo com mais marcas é automaticamente melhor.
- Escolher um Tree ou Grid quando as referências adicionais nunca serão utilizadas.
- Confundir Mil-Dot com qualquer retículo MIL.
- Considerar BDC uma geometria universal.
- Confundir MOA com um desenho específico.
- Confundir MIL/MRAD com Mil-Dot.
- Não verificar se o retículo está no primeiro ou segundo plano focal.
- Utilizar subtensões de um SFP sem conhecer a ampliação de calibração.
- Combinar unidades diferentes entre retículo e torres sem dominar ambos os sistemas.
- Escolher um retículo demasiado fino para condições de pouca luz.
- Escolher um desenho demasiado carregado para uma modalidade em que a rapidez é prioritária.
- Não consultar o diagrama oficial do retículo fornecido pelo fabricante.
- Escolher apenas pelo nome comercial sem compreender o significado das referências.
Checklist: como escolher o retículo correto?
- Qual é a minha utilização principal?
- Preciso sobretudo de rapidez ou de muitas referências angulares?
- Vou utilizar a mira para batida, aproximação, longa distância, ar comprimido ou PRS?
- Preciso de um retículo iluminado?
- Vou utilizar frequentemente a mira em condições de pouca luz?
- Vou efetuar correções diretamente através do retículo?
- Prefiro trabalhar em MOA ou MIL/MRAD?
- As torres utilizam a mesma unidade que o retículo?
- O retículo está no primeiro ou no segundo plano focal?
- Se for SFP, a que ampliação são válidas as subtensões?
- Preciso de referências de deriva?
- Preciso realmente de um Tree ou Grid?
- Se trabalho sobretudo com as torres, será que um retículo mais limpo não faz mais sentido?
- Consultei o diagrama técnico oficial do fabricante?
O retículo faz parte de um sistema completo
Por mais importante que seja, o retículo nunca deve ser analisado isoladamente.
O resultado prático depende da combinação entre:
carabina ou arma + munição ou chumbos + montagens e anéis + mira telescópica + retículo + torres + plano focal + paralaxe + distância + condições + caçador ou atirador.
Mesmo uma excelente ótica com um retículo perfeitamente adequado não consegue trabalhar de forma ideal se as montagens e os anéis não forem apropriados para o sistema.
Para aprofundar este tema, consulta a nossa guia definitiva de montagens e anéis para miras de caça. :contentReference[oaicite:10]{index=10}
Que retículo escolher?
Não existe um único retículo ideal para todos os caçadores, atiradores e modalidades.
Como orientação geral:
- 4A: caça clássica, simplicidade e imagem limpa;
- 4A-i / retículo iluminado: aquisição rápida e maior visibilidade do centro;
- Plex / Duplex: retículos simples e versáteis para caça;
- BDC: referências adicionais sem atingir a máxima complexidade;
- Mil-Dot: arquitetura clássica baseada no sistema MIL;
- MIL/MRAD moderno: referências angulares mais avançadas;
- MOA: referências baseadas em minutos de ângulo;
- Tree: numerosas referências verticais e laterais;
- Grid: grande densidade de referências para utilizações avançadas.
Para um caçador de batida, um retículo 4A-i limpo e iluminado pode fazer muito mais sentido do que um retículo de competição extremamente denso. Para um atirador PRS pode acontecer exatamente o contrário.
A pergunta correta não é, portanto, “Qual é o retículo mais avançado?”, mas sim:
“Que informação preciso realmente de ver dentro da minha mira telescópica?”
Continua a aprender sobre miras e retículos
Este guia faz parte do cluster especializado de ótica da Carbin. Podes aprofundar os diferentes temas através das seguintes categorias e guias:
- Miras de caça e tiro
- Miras com retículo iluminado
- Miras para batida e curta distância
- Miras para caça de espera
- Miras para PRS e tiro dinâmico
- Miras Swarovski
- Miras Bushnell
- O que é o MOA?
- Retículo Mil-Dot e sistema MIL/MRAD
- Primeiro plano focal vs segundo plano focal
- Como ajustar a paralaxe da mira
- Guia de montagens e anéis para miras de caça